Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

1001 pequenos nadas...

...que são tudo, ou apenas esboços da essência de uma vida entre as gentes e as coisas, captados pelo olhar e pela mente livre, curiosa e contemplativa. Por tudo isto e tudo o resto: É PROIBIDA A ENTRADA A QUEM NÃO ANDAR ESPANTADO DE EXISTIR

Trail Santa Justa

   No passado Domingo, dia 27, fomos fazer o nosso terceiro trail, desta vez na serra de Santa Justa, em Valongo. Basicamente foi saltar da espreguiçadeira para o monte e confesso que não estava na melhor das minhas formas, pois apesar de ter treinado durante as férias sempre em dias alternados, foram treinos ligeiros, não só porque eram treinos sozinha, mas também porque passei todo o meu período de férias doente. Mesmo assim, ia cheia de vontade! 
   Depois da última experiência e da loucura de nos tentarmos aventurar nos 22km, desta vez tivemos juízo e fomos para a prova de 12km, que na verdade foram 14km, que esta gente é sempre uma fofa e oferece-nos mais 2km de bónus, que, acreditem, ao fim de mais de 2 h no meio de muito pó, calor e muita subida doida fazem tooooooddddaaaa a diferença. Definitivamente este tipo de distâncias, até aos 15km, é a mais indicada para nós e mesmo assim fazemos uns tempos péssimos (sim, continuamos a ser ultrapassados pelo pessoal que está na prova dos 22km e que consegue fazer 22 em menos tempo que nós fazemos 12). Mas para mim os tempos pouco importam, até porque não faço qualquer tipo de preparação física específica para trail ou sequer para corrida (não é segredo nenhum que correr é para mim a pior forma de pôr o esqueleto a mexer!). Não faço trail pelas provas em si, mas pelo que o trail é e pelos percursos por onde corremos (ou caminhamos em passo apressado, vá!), por isso, tempos pouco me interessam, mas sim aproveitar aquelas manhãs (apesar de não ser nada fácil saltar da cama às 7h da manhã de um Domingo para ir estafar-me até ao limite) e chegar ao fim com aquela sensação de "consegui", quando há uns meses atrás nunca nos achariamos capazes de andar mais de 2h em prova em serras. 
   Quanto a este trail, comparativamente com os dois anteriores, era de uma dificuldade intermédia. Não era tão violento como o anterior (Trail dos 4 caminhos), mas grande parte do percurso era em subidas íngremos, estupidamente apertadas, intermináveis e cheias de mato que nos arranhavam o corpo todo. Passamos por lugar lindíssimos e subimos com as nossas perninhas a altitudes razoáveis com vistas de cortar a respiração. E só por isto, o trail já vale a pena. 
   Para quem nunca experimentou e quer um motivo mais que convincente, julgo que o trail é dos melhores treinos para pernas e glúteos. As dores doidas que eu tive no dia seguinte e o corpo quebrado como ainda o sinto, 3dias depois (apesar de entretanto já ter ido treinar), são a prova de que aqueles altos e baixos são mesmo aquilo de que o nosso corpo precisa. 
   Quanto a próximas aventuras, ainda não estão marcadas. Em pleno Verão não tenciono fazer nenhuma prova, já que andar em serras, no meio do nada, sem qualquer sombra, com os termómetros a roçarem os 30 graus não é das experiências mais agradáveis para o nosso corpo. Mas prometo voltar ao terreno em breve!

Trail dos 4 Caminhos, com lição aprendida e sempre orgulhosa

   Hoje foi dia de mais um trail running, desta vez na serra de Alfena e Valongo. Como tinha dito, inscrevi-me nos 22km (que na verdade, ficamos a saber já em prova que eram 23), parei nos 15km e qualquer coisa. É verdade, não terminei a prova. Por mim, que estava no limite da barreira esforço/diversão e por o meu companheiro de corrida e de vida que tem um joelho de velhote que não lhe permitiu aguentar mais. 
   Quando me inscrevo em qualquer tipo de prova, faço-o porque gosto do que se vai fazer (e já aqui disse que gosto bastante de trails, muito mais do que de corridas) e faço-o acima de tudo pela diversão e para me sentir bem comigo mesma, já que fazer desporto é das coisas que melhor me faz sentir. Desde que soube da existência deste trail que não me calei com "vamos aos 22, vamos aos 22, depois dos 15k do anterior não desço para os 10!". A verdade é que era exactamente isso que deveria ter feito. O trail anterior, em Lagares, era bem menos exigente e violento que este e custou-me horrores, mas mesmo assim achei-me capaz de fazer os 22km de hoje. Este trail dos 4 caminhos era basicamente uma prova de escalada brutal, com subidas duríssimas e excessivamente longas, que me puseram o coração fora da boca e as pernas a gritar daqui até ao Algarve, escaladas essas que eram seguidas de descidas assustadoras para os joelhos e afins. A chuva que a meio nos presenteou não ajudou muito, pois o piso ficou extremamente escorregadio e perigoso e confesso que tenho muito medo das lesões que se podem arranjar com estas brincadeiras. 
   Os primeiros 5 km para mim, seja em que prova for, são sempre os mais difíceis. É este o tempo, ou a distância, que levo a alcançar a minha confort zone, que é muito mais psicológica que física. Hoje, os primeiros 5km estouraram logo comigo tamanha era a altitude das subidas. Mas tudo bem, toca a continuar e já com a sensação de conforto e "agora é que vai ser". Abastecimento dos 10km antecedido por uma subida rochosa interminável daquelas que nos fazem pensar "eu não consigo". Pensamento ao retomar a prova "estou farta disto e ainda nem a meio vamos"! A coisa melhorou um bocadinho nos 2km seguintes (que eu pensei que tinham sido pelo menos 5!), com uma parte tranquila do percurso com muita descida pouco acentuada e trilhos "selvagens" em regatos e locais de vegetação cerrada muito agradáveis. Mas os 3 km seguintes, os 3 km seguintes meus amigos, foram a morte do artista! Era subir, subir, subir, 3km que faltavam para o abastecimento que nunca mais passavam, e quando estavamos bem perto, uma subida em que a menos de meio atingi o meu limite psicológico para aquela prova! Fisicamente estava morta, mas foi o psicológico que mais peso teve. A meio daquela subida, com a campainha dos 15km a tocar, percebi que não era para aquilo que eu tinha vindo e que quando começo a desejar com todas as minhas forças que a prova termine o mais depressa possível ou eu caio para o lado, quando deixo de ser capaz de levantar a cabeça para apreciar a paisagem (e eu adoro este tipo de natureza) e, acima de tudo, quando sei com as poucas forças que me restam, que não quero continuar aquilo assim, é este o momento em que percebo claramente que tenho de parar, quando a experiência ainda é positiva e me faz desejar voltar a um trail já na próxima semana (mês, vá!). 
   Chegados aos 15km, eu no meu limite psicológico e ele no limite da dor, tomamos a melhor decisão "ficamos por aqui". Sem vergonhas, sem desanimo, sem tristeza, sem qualquer sentimento negativo. Chegamos aos 15km, o que, para este tipo de prova é muito bom, para quem não tem qualquer preparação específica ou sequer de corrida! Se eu podia ter continuado? Podia. E terminava a prova. Provavelmente com mais de 4h30 de prova, exausta e pior que tudo, com a sensação de ter ido ali para sofrer e não para me divertir. E muito provavelmente, iria fugir dos trails. E se há coisas para que isto serviu, foi para nos mostrar que não somos atletas, que não somos super-heróis e que se é para arriscar que seja numa coisa menos violenta. Desistir foi um acto de humildade e maturidade: paramos no limite e não é vergonha nenhuma ter um limite nos 15km de um segundo trail running. E assim como assim, ainda ganhamos uma viagem no jipe dos bombeiros até à meta! 
   Uma coisa é certa: em Julho estaremos de volta aos trails, mas com um objectivo já definido: mais de 15km não. Talvez para o ano nos vejam levantar poeira em distâncias superiores...

Prova superada!

   Prova superadíssima!

   Resultado final: trail de 15,2km, em 2h50m.

   Não sei se é um tempo bom, mau ou razoável, mas quem já alguma vez fez uma prova de trail sabe que aquilo não é pêra-doce e que é algo que exige alguma resistência física e muscular. Estava com medo de não aguentar os períodos de corrida, mas neste tipo de provas parece-me que correr é mesmo a melhor parte, já que quando somos obrigados a parar de correr é mau sinal: ou temos subidas vertiginosas e intermináveis, umas atrás das outras, algumas a fazer-nos gritar um "ei, não há corda para ajudar?", ou temos água até aos joelhos ou corremos o risco de nos enterrarmos (ou espalharmos) em lama. Curiosamente e apesar de toda esta chafurdice, eu fiquei completamente fã desta modalidade. Primeiro, pelos locais onde habitualmente é feita, em plena natureza e serra, e segundo porque é um desafio constante, já que nunca sabemos qual será a próxima característica do terreno. Ao contrário da monotonia das corridas e por mais agradável que seja fazer uma prova de running à beira-mar, o trail é mais dinâmico, mais desafiador, mais divertido e dizem os entendidos, mais difícil!

   Depois daqueles que foram sem dúvida e até à data os 15km mais sofridos  da minha vida, estou orgulhosa de vencer mais um desafio. Não importa os tempos, a posição geral, ou o cansaço.  Foi uma prova superada e com grande satisfação.  Provavelmente  o primeiro de muitos trails, já que encontrei aqui um desafio que me atrai bastante. Por isso, não me chamem para correr mas sim "trailar", especialmente se envolver lamas e água até aos joelhos! Um dia, um ultra trail será para mim! Já estou à procura do próximo! O mote é "Why walk when you can run? Why run when you can trail?"

  

O maior desafio de sempre, já amanhã

   Foi só eu dizer que 2014 seria o ano em que começaria a correr (nem sequer é a correr a sério,  é só mesmo a correr) para começarem a surgir os desafios. Depous dos primeiros 7km da corrida do mês passado, a minha primeira corrida de sempre, eis que passamos automaticamente para.., o dobro! E não satisfeitos, para o dobro em modo trial. É isso mesmo, amanhã, bem pela fresquinha, vou saltar de cama (saltar não será de todo o termo certo) para participar num trail de 14km, algures numa qualquer teera que eu não sei onde fica. Posto isto, se eu não der sinais de vida entretanto, aconteceu uma de 3 hipóteses: 

   1. Morri durante ou depois ou ainda antes de começar,  quando tomei a verdadeira consciência da maluquice em que me fui meter.

   2. Perdi-me algures entre a serra e a montanha.

   3. Ainda por lá continuo, a tentar terminar a prova. 

   Correndo tudo bem, este será o meu primeiro trail e um dos grandes desafios da minha vida desportiva! 

   Haja juízo!